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1 de jan de 2017

Sobre médias de 18/19 com muletas

Em primeiro lugar, bom ano novo para todos!
O assunto deste post é sobre inteligência académica. Eu considero uma pessoa inteligente, academicamente, quando faz tudo sem ajuda ou apenas precisa de uma pequena ajuda. Epa, não me venham cá dizer que não é assim. E já explico porquê.
Conheço um caso em que as pessoas de fora, quando falam dessa pessoa, dizem coisas como "é mesmo muito inteligente, vai entrar onde quiser!", e até pode ter uma grande média, ok, até pode mesmo ter possibilidades para entrar onde quiser. Mas é linear? Este sucesso todo é tudo fruto do trabalho dela? Não, meus caros, não. Sempre teve ajuda dos pais, para tudo. Ora expliquem-me lá quem são os pais que estudam com o descendente, como se para eles próprios se tratasse? E não, não estou a falar de um miudo que precisa ajuda no 3o ano. Estou a falar de alguém que está agora no 12 ano e sempre teve esta ajuda. Não estou a falar de lhe fazer perguntas, não, é mesmo estudar, tirar dúvidas, estudo conjunto. E como se isto não bastasse, tem explicações de profissionais. Não nego que tenha mérito em ser capaz de aplicar isso aos testes. Mas também não vou ser estúpida e dizer que não teve sempre uma grande muleta e que consegue pegar num livro sozinho. Todos têm pais que têm possibilidade de fazer isto? Não. Todos têm um ótimo ambiente em casa? Também não. Todos têm possibilidade de pagar explicaçoes? Nao. Todos os pais tratam os filhos como lordes? Nao. Então não me venham cá com tretas a dizer que este tipo de pessoas é dotada de supra inteligência e que tudo o resto é estúpido.
Se algum pai ler isto e andar nestas andanças: o que vocês estão a criar é alguém mimado. Muito mimado. Alguém que estão a habituar a tratar como um lorde. Alguém que pisa os outros, ja com esta idade, dizendo/fazendo tudo o que quer, pois é considerado muito inteligente e considera-se como o rei. Porque mimo assim é demais.
Não abram os olhos, não.

30 de dez de 2016

USA

Quando todos os dias tens mais de 200 visitas silenciosas dos Estados Unidos...

20 de dez de 2016

Alice

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Li 2 livros quando era mais novinha, talvez aí com uns 13 ou 14, que me suscitaram interesse. Não foram os únicos, claro, mas aqueles tinham interesse porque a protagonista era praticamente da minha idade e até tínhamos alguns pensamentos parecidos. No outro dia, estava na cama, quase a dormir e lembrei-me disso, e fui procurar na net, para ver se haviam mais ou não. E haviam...Imensos! Decidi ler o último, pois a história continuava desde que ela tinha 18, até ter 60. E se me identifiquei com certas coisas, também fiquei nostálgica. Ler o livro foi como se estivesse a ler uma possibilidade da minha futura vida. Fazer o curso, trabalhar, casar, ter filhos, envelhecer, ver os amigos a envelhecer também, ter netos, ver as pessoas que conheço morrer. But, believe me, agarrei-me tanto à personagem que me fez uma impressão enorme ela crescer tanto, interiormente e na idade,e vê-la a relatar a vida dela com 60 anos, foi algo que me afetou. Fez-me ver que hoje somos novos, amanhã já não, que o tempo passa e não espera, quer tenhamos aproveitado ou não a vida. Emocionei-me umas 3x durante o livro, algo que acho que nunca me tinha acontecido com um livro. Ainda bem que a autora não relatou como é que ela faleceu, senão sim, tinha sido um pranto. Há personagens e personagens,umas que nem fazem sombra, outras que ficam. 
Há um filme sobre um dos livros, o primeiro. É giro, mas nada bate os livros.

14 de dez de 2016

Sobre conchas com ou sem pérolas

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Quando as pessoas não entendem o que se passa, tendem a dizer que exageramos. Exageramos sobre a atitude de alguém, exageramos sobre o nosso estado de espírito, exageramos sobre tudo. E tudo de tem de fazer sentido só porque alguém diz que exageramos. É suposto isso nos acalmar e levar-nos a menosprezar o que pensamos. Eu nunca tive dores no apêndice, mas não vou dizer a uma pessoa que a tem que está a exagerar e que não é assim tão mau, que está a exagerar. Ninguém - ou quase ninguém - irá, porque toda a gente sabe o quão má é esta dor, pelo menos na teoria, porque já ouviu mais pessoas a queixarem-se, por exemplo.
E sobre coisas que nos são inteiramente desconhecidas? Há coisas que só sei hoje porque ou estou a passar por elas e quis saber mais, ou alguém passou e eu fui investigar, ou simplesmente despoletou em mim essa curiosidade ou vi por aí na internet. 
Quando alguém não entende o que estamos a passar, nem quer entender, ou fingir que entende, nós paramos com os berros, paramos com as explosões emocionais, paramos com os choros incontrolados, paramos de mostrar o quão perdidos e confusos estamos, paramos de implorar por ajuda, paramos de mostrar que provavelmente a vida como a conhecíamos já não está no futuro que imaginávamos e que isso nos assusta like hell. E ficamos numa concha onde só vivemos nós, porque estamos fartos de ser apelidados de malucos, fartos de ouvir que é tudo da nossa cabeça, que não deve ser assim tão mau, que há coisas piores. Há conchas com mais pessoas lá dentro, mas para esse tipo de conchas este texto não se aplica. Nessas conchas há amor incondicional, há o medo também, mas o medo não reina. As outras conchas, bem, essas aprendem a lutar por elas, a formar a sua pérola. Sempre aprenderam. Mesmo que a corrente de água seja demasiado forte e a vida não pare de dar voltas, não o vão deixar de fazer.